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quarta-feira, 22 de abril de 2020

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

QUESTÕES DE ENEM com GABARITO - Literatura - BARROCO

 1 -  (INEP ­ 2015 ­ ENEM ­ Exame Nacional do Ensino Médio ­ Prova Azul ­ Segundo Dia 



O contexto histórico e literário do período barrocoárcade fundamenta o poema Casa dos Contos, de 1975. A restauração de elementos daquele contexto por uma poética contemporânea revela que
 a)a disposição visual do poema reflete sua dimensão plástica, que prevalece sobre a observação da realidade social.
 b)a reflexão do eu lírico privilegia a memória e resgata, em fragmentos, fatos e personalidades da Inconfidência Mineira.
 c)a palavra "esconso" (escondido) demonstra o desencanto do poeta com a utopia e sua opção por uma linguagem erudita.
 d)o eu lírico pretende revitalizar os contrastes barrocos, gerando uma continuidade de procedimentos estéticos e literários.
 e)o eu lírico recria, em seu momento histórico, numa linguagem de ruptura, o ambiente de opressão vivido pelos inconfidentes.

2)(INEP ­ 2009 ­ ENEM ­ Exame Nacional do Ensino Médio ­ PPL ­ Prova Cinza ­ 2ª dia 

 Lisongeia outra vez impaciente a retenção de sua mesma
desgraça...

                                                         (Gregório de Matos)

Discreta e formosíssima Maria,
Enquanto estamos vendo claramente
Na vossa ardente vista o sol ardente,
E na rosada face a Aurora fria:
  
Enquanto pois produz, enquanto cria
 Essa esfera gentil, mina excelente
No cabelo o metal mais reluzente,

E na boca a mais fina pedraria:
Gozai, gozai da flor da formosura,
Antes que o frio da madura idade
Tronco deixe despido, o que é verdura.

Que passado o Zenith da mocidade,
Sem a noite encontrar da sepultura,
É cada dia ocaso de beldade.

(CUNHA, H. P. Convivência maneirista e barroca na obra de Gregório de Matos. In: Origens da Literatura Brasileira. Rio de Janeiro:Tempo Brasileiro, 1979.p. 90.  )

O Barroco é um movimento complexo,considerado como a arte dos contrastes. O poema de  Gregório de Matos, que revela características do Barroco brasileiro, é uma espécie de livre– tradução de um poema de Luís de Góngora, importante poeta espanhol do século XVII. Fruto de sua época, o poema de Gregório de Matos destaca

a) a regular alternância temática entre versos pares e ímpares.
b) o contraste entre a beleza física da mulher e a religiosidade do poeta.
c) o pesar pela transitoriedade da juventude e a certeza da morte ou da velhice.
d) o uso de antíteses para distinguir o que é terreno e o que é espiritual na mulher.
e) a concepção de amor que se transforma em tormento da alma e do corpo do eu lírico.

GABARITO:
1 – E
2 – C


sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

BARROCO

GREGÓRIO DE MATOS


Gregório de Matos (1636-1695) foi um poeta baiano do século XVII conhecido como “Boca do Inferno”. Esse apelido foi devido ao fato de, em seus poemas, criticar a Igreja católica, as autoridades locais e os costumes de seus contemporâneos em geral. Nasceu em Salvador, no tempo em que essa cidade era a capital do Brasil Colônia. É considerado o maior poeta do Barroco brasileiro.

Observe de que maneira ele descrevia a cidade de Salvador, sede do governo colonial.

"Descreve o que era naquele tempo a cidade da Bahia"

A cada canto um grande conselheiro,
Que nos quer governar cabana e vinha;
Não sabem governar sua cozinha,
E podem governar o mundo inteiro.

Em cada porta um bem freqüente olheiro,
Que a vida do vizinho e da vizinha
Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha,
Para o levar à praça e ao terreiro.

Muitos mulatos desavergonhados,
Trazidos sob os pés os homens nobres*,
Posta nas palmas toda a picardia,

Estupendas usuras** nos mercados,
Todos os que não furtam muito pobres:
E eis aqui a cidade da Bahia.

*Na visão de Gregório de Matos, os mulatos em ascensão subjugam com esperteza os verdadeiros “homens nobres”.
**usura: desejo exacerbado de poder e riqueza; cobiça.

A Bahia de dessa época aparece com um tom nostálgico, e o poeta faz uma crítica à decadência moral e econômica da cidade naquele momento. Os comerciantes são os detentores do poder político e econômico e agem de maneira oportunista, enquanto os trabalhadores honestos encontram-se na pobreza.
Trata-se de soneto satírico e, como todo soneto, é composto por versos decassílabos em esquema de rimas ABBA, ABBA, CDE, CDE.



Vemos essa mesma inconformidade e lamentação em outro famoso soneto "À cidade da Bahia", onde percebe-se a decadência dos engenhos de açúcar e a ascensão de uma burguesia oportunista.
À cidade da Bahia
Triste Bahia! oh! quão dessemelhante
Estás e estou do nosso antigo estado!
 
Pobre te vejo a ti, tu a mim empenhado,
Rica te vi eu já, tu a mim abundante.

A ti trocou-te a máquina mercante,
Que em tua larga barra tem entrado,
A mim foi-me trocando e tem trocado
Tanto negócio e tanto negociante.

Deste em dar tanto açúcar excelente
Pelas drogas inúteis, que abelhuda
Simples aceitas do sagaz Brichote.

Oh! Se quisera Deus que, de repente
Um dia amanheceras tão sisuda
Que fora de algodão o teu capote!
Fonte: Spina, S. 1995. A poesia de Gregório de Matos. SP, Edusp.